sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

devir música

http://www.youtube.com/watch?v=u84-Lk1TIjU
e se eu disser que a música é o ar que eu respiro?
que sem ela, até minha oxigenação perde o ritmo?
mais 365 dias ininterruptos de som! msm no silêncio,
as cigarras, abelhas e pássaros vêm marcar o passo!
e se eu espanto os bichos, vento grita no meu ouvido
e água teima em correr nos pés, me tirando p dançar.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

um pássaro pousado no dedo

Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar
Rubem Alves

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Semente

O que brota no meu peito
tem raiz profunda e caule forte
Tentei arrancar de todo jeito
que colher flor não é minha sorte

Meu corpo treme
mas não é de frio
E minh’alma geme
de tanto arrepio

A lágrima que me escorre
não tem nada a ver com sono
Me embriaga num porre
de saudade de quem amo

"Quem quiser plantar saudade, trate de escaldar a semente.
Plante no solo bem duro, onde o Sol seja mais quente.
Pois se plantar no molhado, ela cresce e mata a gente."
Anônimo

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eles passarão...

Quem já assistiu mulher brigar
por homem e num achou sentido,
precisava de ver luta de sabiá
por espaço no infinito.

Minha janela acompanha
esse tremendo disparate.
Os dois se bica e se arranha
Voa pena e folha a toda parte!

E seu eu tivesse asa
pra ir apartar essa briga,
não tava agora em casa
deitada de barriga...

Tinha era avoado com gosto,
que sede de amor e infinito
se mata com vento no rosto,
e não no grito!

(Amalita passarinhando... :)

sábado, 13 de agosto de 2011

Sol e Chuva.txt

Ele se foi, pra não mais voltar. Não praquele cantinho. Ela sentiu isso no coração. Como se desse adeus a um passarinho. Mas fora avisada e sabia que aquele era seu último voo, vista do céu mergulhada nas suas asas. E que vista! Correu pro quarto. Foi catar as amazonitas. Pegou seu pote de pedras preciosas e retirou uma por uma daquelas verdes pedrinhas. Não queria mais naquele cômodo o brilho dos olhos do amado, o viço fresco e delicado das folhas orvalhadas. Teve vontade de esconder as jaspes, pra não pensar na cor dos seus lábios. Separou também as hematitas, que lembravam a noite iluminada em que o conheceu. E irritou-se com a transparência dos quartzos, que se misturava a suas lágrimas.

Restaram apenas as ametistas, pedras dos enamorados, que cuidam do coração e acalmam os espíritos. De embriaguez também não sofreria. Era assim que as bruxas as usavam. Mas por que logo roxas, pra refletir sua saudade?! Devolveu todas as pedras. Todas não. Fechou com força a mão. Queria jogar as esverdeadas pela janela, como quem cata feijão! Mas preferiu guardá-las num pote vermelho de pedra sabão, como quem guarda uma jóia, livre dos olhos de um ladrão. Pedras preciosas... Passou dias viajando e garimpando tantas outras naquele mar verde de montanhas, mas seu coração já tinha encontrado uma raridade, que nem ao menos sabia todo o seu valor.

Ele não aceita que ela reconheça uma jóia rara só de olhar seu brilho. Não entende que quando ela desdenha, quer comprar. Que se ela passar alguns meses em Moçambique, eles não dividirão o Índico, mas ainda compartilharão o Sul. E que ela lê o livro que ganhou bem devagar, só praquela linda história nunca acabar. Quase como um mito grego, ela tenta ganhar tempo para a volta do amado, lendo de dia e esquecendo à noite. Também o visita em sonhos, mas do que adianta, se ele nem consegue dormir? E a Lua, sua única companheira, tem sido a mais constante visita da sua janela. Os pássaros não querem mais conversar. Até as pombas, novas vizinhas, parecem não se interessar. O Sol aparece quando bem quer e a chuva, essa não vai embora nem com vassoura atrás da porta! Cansou de brincar com eles e depois ficar sozinha. No jogo do dominó, ela também perdeu. Não é boa com os números nem com as contas. E agora se deu conta de quantas pedras no caminho!

“- Pronto... Acabou-se... Nem fez sequer barulho.” (Saint-Exupêry). No planetinha da cana e do pequeno príncipe, se fala muito essa palavra. Talvez porque ela preceda algo de muito importante pra acontecer àqueles habitantes. Nem o douro do trigo do principezinho, tampouco das pepitas de Minas, mas o verde da cana, que precede o doce do açúcar, agora a faz lembrar os olhos dele. Uma imensidão, que ela não pode ganhar de presente... “Eu queria te dar a Lua, só que pintada de verde.” (Cazuza)

sábado, 30 de julho de 2011

Entocada na mata

Os dias passam e a gente nem nota que chega o fim da semana. A natureza é mestre do tempo, regente dos ciclos. Tem o seu próprio ritmo e faz seu calendário. Se eu acompanhasse os pássaros, achava sempre domingo. Se escutasse as águas, corria de segunda a segunda. Se imitasse as flores, me recolhia só quando frio. Bom mesmo é ser guiada pela Lua. Ter fases de andar escondida, fases de ir para a rua...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Penas do Tiê

Penas do Tiê - música folclórica

Vocês já viram lá na mata a cantoria
Da passarada quando vai anoitecer?
E já sentiram das planícies orvalhadas
O cheiro doce da frutinha muçambê?

Já experimentaram guabiraba bem madura?
Já viram as tardes quando vai anoitecer?
E já ouviram o canto triste da araponga
Anunciando que na terra vai chover?

Pois meu amor tem um pouquinho disso tudo
E tem na boca a cor das penas do tié

Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
Sabe quem é o meu amor, ele é você

(Hoje à noite, me ouviram cantar e disseram:
- Como canta Amalita! Anda bem feliz!
"Desde quando sorrir é ser feliz?

Palavras, palavras, palavras...
Cantar nunca foi só de alegria
Com tempo ruim
Todo mundo também dá bom dia!")

sábado, 23 de julho de 2011

Nao acredito em coincidencias!

Mais de dois anos depois das minhas tulipas murcharem e eu guardar seus bulbos, um descuido e uma surpresa! Aquele pote fechado foi destampado e uma combinação de luz, umidade e saudade fez brotar todos os dentes dos três bulbos já secos. Plantei nos vasos com muito cuidado e agora espero a próxima surpresa: que cores e cheiros invadirão meu quarto daqui a alguns meses? O mais fascinante de tudo é a presença de um novo pássaro na janela. Não sei se estou mais ansiosa pelo desabrochar das flores ou desenrolar dos amores! É, parece que ainda não aprendi a lição... ;)


Conversas com minha jardineira (III)

Minha pequena, não brotou tua flor?
Te avisei que ias sufocar o teu amor!
Que a tua chaga era ansiedade...

Que culpa tinha eu, jardineira
Se aquele bulbo era de tulipa vermelha?
Que ficou assim, roxo de saudade...

Agora quero plantar semente pura
para um pássaro de misteriosa canção,
comunicador do direito à cultura,
poder fincar raízes no meu coração!

Plante e colha flores pro teu amante
Mas, Amalita, aprenda ligeiro:
Não queiras que um livre viajante
se torne de tua gaiola prisioneiro!

Porto Alegre, 23/07/2011
(Ah, teve uma coisa q mudou de lá pra cá:
agora eu também sou viajante e tenho que,
além de datar, localizar meus sonetos :)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mi amor se fue

http://www.youtube.com/watch?v=thYrnEL2dAY

Mi amor se fue, se fue, se fue
y me quede sola con mi pena
mi amor se fue, se fue, se fue,
y volvera pa la Nochebuena
Mi amor se fue, se fue, se fue
y solita por los bares
de San Andres, a Lavapies
recordando sus andares
Digame usted si volvera
o viajara a otras tierras.
Digame usted la verdad,
porque me muero de pena

Amparanoia - El poder de Machín
(hahaha Maravilhosa! Quando eu achar
que faço melhor, volto a escrever ;)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quando chegares...

Quando chegares aqui
Podes entrar sem bater
Ligue a vitrola baixinho
Espera o anoitecer

Logo que ouvires meus passos
Corre pra me receber
Sorri, me beija e me abraça
Não me perguntes por quê

Quando estiver em meus braços
Pensa somente em nós dois
Fecha de leve os teus olhos
E abre os teus lábios depois

E quando já for bem cedinho
Não quero ouvir tua voz
Sai sem adeus, de mansinho
Esquece o que ouve entre nós

Maysa